Cafezinho na roça....

Ainda no escuro ouvia o barulho da caixa de fósforos, em seguida uma pequena tocha de fogo ajudava os primeiros raios do dia a iluminar a casa. Acendia a lamparina, som da lenha dobrando-se no joelho. Assoprava a cinza e o laranja tonalizava o rosto, braços, projetando a sua sombra na parede preta de fumaça. Gravetinhos de lenha ajudavam acender o fogo, marmita de café, a colher arranhava o fundo da lata á procura das últimas pedrinhas de açúcar. Os galos, cabeça-vermelha, juriti, coqui, rolinhas, sofrê entre outros pássaros cantarolava anunciando a chegada do sol. O café quentinho estava pronto enquanto ''arriava'' a vaca. Lá fora parecia tudo maravilhoso, a vida nascia, tinha o dia todo pela frente.
 
O calor do fogo me lembra reunião, proteção, alimentação, além de aquecer a casa e preparar a comida. Quase toda alimentação passava pelo fogão a lenha: milho assado, milho cozido, café, leite, arroz, feijão, carne, queijo...

De tanto ir e vir na minha bicicleta azul o mundo não me assustava e a cena daquelas manhãs ao pé do fogão a lenha pareciam eternas.
Hoje percebo que andei pouco, mais por onde andei a vida me levou depressa, mais rápido do que a bicicleta azul. Porém muitas coisas passaram despercebidas: flores, cobras e lagartos, mais sempre abro a janela e me vejo ao lado do fogão a lenha com cores laranja no seu rosto.

Texto extraído do Blog de Rocílio Rocha

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