domingo, 30 de outubro de 2016

Fazendas de portas abertas para turistas

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Em Santana dos Montes, a 130 quilômetros de Belo Horizonte, casarões contam com boa estrutura e riquezas culturais. Nos fins de semana, turistas podem acompanhar a produção da cerveja Loba
O casarão, erguido sobre esteios de madeira, se abre em imensas janelas para o jardim. Na espaçosa cozinha - onde alguns escravos costumavam fazer as refeições -, o fogão a lenha reina absoluto. Apesar de o calendário insistir que estamos em 2014, a sensação é de que ali o tempo parou. Mas, em vez de senhores acompanhados de mulheres de vestido bem engomado, quem circula pelos corredores da casa-grande são turistas querendo vivenciar a experiência de se hospedar em fazendas construídas há séculos. A 130 quilômetros da capital está Santana dos Montes, um pequeno lugarejo perdido ao pé da Serra do Espinhaço. Cercado por uma natureza exuberante, a cidade é um dos principais atrativos do Circuito Turístico Villas e Fazendas, uma organização social sem fins lucrativos com o objetivo de incentivar, promover e divulgar o turismo na região do Alto Paraopeba, que inclui nove municípios. "Aqui, os visitantes encontram mais do que apenas belas cachoeiras", diz Igor Carvalho Kiyomura, gestor da entidade. "É um local muito rico culturalmente."

A história do arraial do Morro do Chapéu, o primeiro nome do lugar, começou no auge do ciclo do ouro, no início do século XVIII. A atividade mineradora, no entanto, não foi a responsável pelo povoamento, mas, sim, a agricultura e a pecuária. A fartura de água do Rio Piranga garantia terras férteis para a produção de alimentos que sustentavam áreas de extração do ouro. "Aqui era um dos grandes celeiros de Minas", diz Dilmo Elberte Romão, secretário municipal de Cultura, Turismo, Desenvolvimento, Esporte e Lazer. Tudo o que saía das fazendas de Santana valia tanto quanto as pepitas encontradas nos leitos dos rios de Vila Rica (atual Ouro Preto). Um boi, por exemplo, era vendido naquela época por 100 oitavas de ouro em pó, ou seja, quase 360 gramas do metal.

Com a decadência da mineração, a região perdeu a força econômica, e Santana dos Montes mergulhou no esquecimento, o que acabou conservando sua arquitetura original. O espírito tranquilo do interior também foi mantido. Com cerca de 4 000 habitantes, pouquíssimos restaurantes, algumas vendas e apenas duas padarias, às 6 da tarde as lojas se fecham e as ruas ficam vazias. Em poucas horas dá para explorar toda a cidadezinha. O cartão-postal é a Igreja de Santana, fundada em 1749. Com portas e pedras originais, o edifício tem em seu interior pinturas de Francisco Xavier Carneiro, discípulo do mestre Ataíde (1762-1830). Também ali, no centro, trinta casarões em estilo barroco enfileirados lembram um cenário cinematográfico. Os maiores tesouros de Santana estão, no entanto, nos arredores. A região reúne catorze fazendas dos séculos XVIII e XIX, muitas restauradas e algumas tombadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha). Cinco delas abrem suas portas para receber os viajantes com sede de cultura. "Na Europa é muito forte esse turismo de pequenas cidades, em que o visitante consegue interagir com os moradores de forma amigável", diz a historiadora Anamaria Vaz de Assis Medina, presidente da Associação dos Amigos de Santana dos Montes. Junto com o marido, o sociólogo José Maria Medina, ela trocou BH pelo lugarejo em 2003. Depois de quatro anos restaurando cuidadosamente um casarão do início do século XVIII, o casal o transformou na pousada Solar dos Montes. Em um mundo cada vez mais tecnológico, Santana dos Montes oferece aos turistas uma viagem ao passado. E o melhor: sem que seja preciso entrar em uma máquina do tempo.

Fazenda Santa Marina - Romantismo na serra
É o hotel mais sofisticado da região. A 8 quilômetros do centro, o Santa Marina consegue unir a autenticidade de uma fazenda do século XIX com todo o conforto contemporâneo. São dez apartamentos e um chalé. Flores e pequenos mimos, como pantufas divertidas e lençóis térmicos, deixam os ambientes ainda mais aconchegantes. A pousada tem cinco apartamentos, com banheira de hidromassagem e lareira. Para quem está em busca de relaxamento, há um cardápio de terapias holísticas como a massagem com óleos essenciais. Os hóspedes ainda podem explorar o lago, de 30 000 metros quadrados, de pedalinho ou barco a remo. A área externa conta com piscina e sauna, além de um charmoso gazebo, para meditação e ioga. Às 5 da tarde, o hotel oferece lanche com bolos e chás de capim-limão, hortelã e melissa vindos diretamente da horta. 
Estrada de Cristiano Otoni, quilômetro 9, telefone (31) 9974-4203. www.fazendasantamarina.com.br.

Solar dos Montes - No centro
Apesar de localizado em frente à Igreja de Santana, o Solar dos Montes está mais para uma chácara do que para um simples imóvel no centro histórico. O casarão, erguido há mais de 200 anos, fica em um terreno de 15 000 metros quadrados, com mais de setenta árvores frutíferas, que atraem aves como tucanos e jacus. Os doze apartamentos se dividem em dois prédios, construídos em estilo colonial. No piano-bar, onde vigas de madeira adornam o teto, os turistas podem aproveitar os dias mais frios diante de uma charmosa lareira. A pousada conta ainda com salão de jogos, piscina aquecida e sauna. 
Praça Aristides de Araújo Teixeira, 189, centro,  (31) 3726-1319/1314. www.solardosmontes.com.br.

Fazenda Fonte Limpa - Cavalgadas ao luar
Em noites de lua cheia, os hóspedes podem se aventurar em uma cavalgada na qual são visitadas outras três fazendas. Nos fins de semana, a garotada participa do cotidiano da roça ordenhando vacas e buscando as ovelhas no pasto. O restaurante, onde é servida comida mineira preparada em fogão a lenha, fica no local no qual um dia foi a senzala do imóvel, erguido em 1742. O antigo pouso de tropeiros e o celeiro foram transformados em hospedaria. São dezoito acomodações, quatro delas denominadas minas plus, com 45 metros quadrados, hidromassagem dupla e lareira. A pousada conta com três piscinas - duas térmicas com banho de ofurô, exclusivo para casais. Além do jantar self-service, a casa tem um pequeno bistrô com comida à la carte. Alguns pratos, como o frango com legumes na manteiga, já estão inclusos na diária.  Rodovia BR-040, (31) 3726-1134. www.fazendafontelimpa.com.br.

Fazenda do Tanque - Rodas de viola e comida mineira
Às 8 da manhã, o cheiro de café toma conta do casarão fundado em 1863. Para quem não resiste às quitandas mineiras, a mesa lotada de queijos, bolos, biscoitos e pães é só a primeira tentação do dia. No Tanque, tudo é preparado no fogão a lenha com ingredientes que vêm da própria fazenda. Os hóspedes podem se divertir nas piscinas ou nas quadras de tênis ou de futebol. Para a criançada, passeios de charrete, cavalo e pescaria. Das dezessete acomodações, onze têm lareira e hidromassagem. À noite, caldos e massas são servidos no restaurante. Para os casais que querem um pouco de romance, no Bar Empório tem show de viola caipira. 
Estrada Cristiano Otoni, quilômetro 13,5, zona rural, 3297-2556 e (31) 3726-1130. www.fazendadotanque.com.br.

Fazenda da Chácara - Salão de jogos no porão
Erguida em 1741, a Fazenda da Chácara foi a última a virar hotel. Localizado em um terreno de 126 hectares, o complexo tem 28 apartamentos, sendo oito deles com ofurô ou hidromassagem. Piscina, academia, sauna e uma trilha por dentro da mata atraem os visitantes. No subsolo foi montado um bar batizado de Porão, com mesa para jogos de cartas e sinuca.  Além da cerveja local Loba, faz sucesso no cardápio o drinque perestroika, preparado com vodca, limão e leite condensado. Em frente à casa-sede, um espaço para eventos com capacidade para 200 pessoas é decorado com uma imensa roda-d'água de madeira. 

Estrada de Santana dos Montes a Rio Espera, quilômetro 1, (31)3726-1361.www.hotelfazendadachacara.com.br.
Direto da fonte
Nos fins de semana, turistas podem acompanhar a produção da cerveja Loba
Da moagem do malte ao engarrafamento final - passando por vinte dias de maturação -, é preciso um mês até que a cerveja Loba esteja pronta. Já o chope leva dezoito dias até ficar cremoso o suficiente para ser servido. Localizada na Fazenda Guarará, a cervejaria fabrica artesanalmente cinco versões da bebida - pale ale, brown ale, lager, stout e weiss -, que podem ser compradas no próprio local por 5 reais a garrafa de 300 mililitros. A produção começou quase que por uma brincadeira. O empresário Aloísio Rodrigues Pereira resolveu fazer cerveja para servir aos amigos e hoje, dois anos depois, produz 10 000 litros da bebida por mês. A Guarará vende também cachaça envelhecida em tonéis de carvalho. 

Para fazer visitas, aos sábados e domingos, das 7h às 16h, é preciso agendar pelo (31) 3726-1207.
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Fonte da matéria> Revista Veja BH. Link original:http://vejabh.abril.com.br/materia/cidade/cinco-fazendas-centenarias-abrem-suas-portas-turistas-vivam-experiencia-se-hospedar-construcoes-coloniais

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