Doces prazeres: uma viagem de sabores e texturas pelos tachos de Minas Gerais


Fotografia de Aldeia Fazenda Velha, restaurante em Andradas MG
As carnes suínas, as galinhas, os peixes e suas inúmeras receitas regionais, juntamente com os laticínios, especialmente os queijos artesanais, os cafés especiais de excelência e tantos outros produtos e costumes que definem as identidades gastronômicas de Minas, lhe conferem com justiça o título de Estado da gastronomia.

Mas apesar de toda a diversidade e das diferentes performances regionais dessas referencias citadas, nenhum outro produto artesanal ou ate mesmo industrial consegue ser tão democrático e apreciado como os doces e as quitandas produzidos em Minas Gerais.

De todos os tipos, formas e sabores, esses “confits” mineiros, ou conservas de leite, frutas e outros preparados com o açúcar ou rapadura, os doces e também as quitandas definem as identidades e fazem parte das histórias de territórios e sub territórios, cidades e povoados, mas especialmente, em cada casa e em cada família uma história é descrita a partir dos tachos e dos fornos fumegantes.

Os doces confundem-se com a história da colonização brasileira, e a partir do ciclo da cana de açúcar, em Minas eles ganharam uma infinidade de formas e texturas, dificilmente encontradas em qualquer outro lugar do planeta. As frutas e castanhas se tornaram compotas, geleias, doces de barra e pasta e cristalizadas, balas e docinhos de festa, cocadas, pés de moleques de todos os tipos, quebra queixos, pirulitos, balinhas, caramelos, paçoquinhas e pralinées, ou castanhas e amendoins açucarados.

Na falta de acompanhamento o açúcar virou algodão doce e rapadura. Os legumes e raízes não ficaram de fora com as aboboras, chuchus, pau e raiz de mamão, milho, e nem mesmo os animais com as geleias de mocotó de boi, os chouriços doces de sangue de porco com especiarias e os ovos com a baba de moça , dentre outros.

Delícias em todas as regiões
 São várias as regiões e cidades do Estado que são lembradas por suas doçuras, como é o caso de Araxá, Poços de Caldas, Salinas e Carmo do Rio Claro, com seus cristalizados, esta última por seus doces esculpidos e bordados como verdadeiras obras de arte. Ponte Nova, São Bartolomeu, São Gonçalo do Pará, São Lourenço, Moeda, Machado e Poços de Caldas, com seus doces em pasta e barra, especialmente a goiabada cascão, as bananadas, pessegadas, figadas, marmeladas, laranjadas, etc. O Marmelo fruta de origem francesa trazida pelos portugueses, nos remete ao cerrado mineiro e ao sertão, e em São João do Paraíso no Território do Espinhaço fica a capital brasileira da marmelada artesanal.
Também no cerrado e no sertão os doces de rapadura pura, batida ou de tijolo, rapadura misturada com frutas e coco, além dos pés de moleques, mocotós e chouriços constroem as identidades das comunidades locais. São muito produzidos em cidades como Jaiba, Pirapora, Montes Claros e toda a região. Ainda no norte, inusitados doces de maxixe que se parece com doce de ameixa preta, e o doce de jiló contam um pouco a historia das cozinhas de Januária.

No sul, o marolo ou araticum, em calda ou em pasta, define os sabores de Paraguaçu e entorno, e os pés de moleque se tornaram sinônimos da cidade de Piranguinho. Já a cidade de Pedralva, os pralinées e docinhos de festa identificam as festas religiosas da região, preservando as tradições com seus cones de coroação, fabricados um a um por centenas de mãos voluntarias.

Ainda fazendo coro com essas doçuras, as regiões produtoras de frutas produzem geleias que não deixam nenhuma saudade das melhores francesas. É o caso dos morangos e frutas vermelhas de Barbacena e região. No sul, Gonçalves, Monte Verde, Poços de Caldas e Machado as geleias também são estrelas.

Doces de leite
Os doces de Viçosa puxam a fila dos mais diversos e famosos doces de leite do país e do mundo, e há quem afirme que os doces mineiros superam os uruguaios e argentinos. Variações sobre o tema se apresentam de formas inusitadas como o doce de leite com pequi de Curvelo e também o com raspas de limão capeta. São várias as produções de doces de leite cremoso com café, com coco, com maracujá, ameixa, figo, cidra, mamão verde e tantas outras.

Balas e pirulitos, como as delícias ou balas de coco tem seus mais famosos tachos na saudosa dupla Dona Gema e Dona Pequetita de Santa Luzia que encantaram a Princesa Daiane com suas balinhas brancas levadas pela amiga, Lucia Flecha de Lima. Em Macacos a marca doce tem o nome do Xuru que ficou famoso ao receber o Frances Olivier Anquier para experimentar sua criação, e outra referencia de peso está na Dona Mó em Salinas. Dizem que os quebra queixos e pirulitos da Edna, quando não se fazem presentes na viagem de trem entre Tiradentes e São Joao del Rei, o programa não está completo.

São vários os doces industrializados que fazem coro com os artesanais no fortalecimento da imagem de Minas Gerais como Estado da gastronomia. E um dos mais antigos e importantes deles são os caramelos Embaré, produzidos a 80 anos na cidade de Lagoa da Prata no centro oeste mineiro.

Fonte da matéria:http://hojeemdia.com.br/almanaque/gastronomia/doces-prazeres-uma-viagem-de-sabores-e-texturas-pelos-tachos-de-minas-gerais-1.323216

Nenhum comentário:

Postar um comentário