10 Mitos equivocados sobre Belo Horizonte



1 - BH NÃO TEM NADA PRA FAZER - Abro o top 10 com o maior equívoco de todos os tempos. As pessoas que dizem isso não conhecem o potencial da cidade e só sabe fazer turismo viajando pra outras cidades, sem conhecer a cidade onde vivem. Capital das artes, BH possui hoje cerca de 110 espaços culturais num raio de 20km da Região Central, dentre eles, o Circuito Cultural da Praça da Liberdade (o maior complexo cultural da América Latina). Temos também Inhotim, que atualmente é o maior museu de arte a céu aberto do mundo! Tanta cultura não merece ser apreciada de estômago vazio. Por isso, BH é também capital gastronômica, possuindo mais de 20 mil bares e restaurantes, o maior índice nacional - literalmente, a cozinha do Brasil. Fora os shows, eventos de grande porte, feiras e exposições diárias que acontecem na cidade. Só mesmo sendo muito alienado pra achar que a vida cultural de qualidade do país se restringe ao eixo RJ-SP. Convido-os a passear por BH e descobrirem o que estão perdendo.

2 - BH NÃO É MAIS A TERCEIRA MAIOR CIDADE BRASILEIRA - Entre as décadas de 70 e 90, BH carregou o título de terceira maior capital brasileira, segundo o IBGE. Só que os limites políticos da cidade são pequenos, fazendo com que a cidade se transbordasse, invadindo a área de outros municípios, como Contagem, Sabará, Nova Lima, dentre outros. Dentro do município de BH a cidade não tem mais como crescer, e por isso, outros municípios no país a 'ultrapassaram'. Porém, nossa macha urbana, com quase 6 milhões de habitantes, ainda é a terceira mais populosa do país, posto que dificilmente nos será tomado, independente dos limites cartográficos e administrativos. Não dá mais pra dizer que regiões como Contagem, Sabará, Vespasiano ou Nova Lima são cidades separadas. Todas fazem parte de um mesmo contexto, de uma mesma mancha urbana. Por isso, continuamos sendo a terceira maior metrópole do Brasil e estamos nessa posição no ranking das regiões metropolitanas nacionais.

3 - BH É UMA ROÇA - Definitivamente esse é o pior dos equívocos. Logicamente todo mundo sabe que não moramos em nenhuma roça. Sim, eu sei, Belo Horizonte ainda tem muito a melhorar, assim como toda grande metrópole brasileira. Nosso metrô não atende a cidade toda, os engarrafamentos são quilométricos e constantes, a gestão pública é atrasada, o sistema de saúde é deficitário. Mas isso não faze de BH uma roça, no sentido pejorativo da coisa. Como dizem, não existe rosa sem espinhos, e BH não foge a regra. Mas, no contexto brasileiro, a grande metrópole mineira é referência em vários quesitos. Para começar, a Grande BH reina isoladamente em expansão populacional, econômica e financeira, sendo a metrópole brasileira que mais cresceu nos últimos cinco anos, além de ocupar por mais de 50 anos o posto de terceira maior área urbana do país, terceiro maior polo comercial e empresarial, terceiro maior polo cultural; e recentemente subiu uma posição no ranking fabril, sendo o segundo maior polo industrial da nação. É sede de oito entre as cem maiores empresas brasileiras, ocupando também o terceiro lugar no ranking nacional desta classificação. Além de tudo, é o maior polo biotecnológico da America do Sul. São vários os adjetivos da cidade... moderna, dinâmica, acolhedora... aliás, esse último é uma das principais qualificações da urbe. Mesmo em uma massa urbana que acomoda quase 6 milhões de habitantes, o cidadão conseguiu preservar o mais carismático perfil acolhedor, incomum nos cidadãos de outras grandes cidades. BH é a cidade sorriso, pois são muitos os que recebemos todos os dias. Não que roça seja um lugar ruim, pelo contrário, um fim de semana na roça tem seu lugar! Mas não, BH não é uma roça, nem de brincadeira.

4 - BH É UM OVO - Escuto com certa frequência essa frase. Não, Belo Horizonte não é um ovo... longe disso, está entre as 40 maiores metrópoles do planeta, entre as 20 maiores das Américas, entre as 5 maiores da América do Sul e é a terceira maior do Brasil. Estamos inseridos em uma massa urbana com quase 6 milhões de habitantes, os quais precisam percorrer 60km de norte a sul e 45km de leste a oeste se quiserem cruzar a cidade a partir de suas fronteiras urbanas extremas. Ou seja, não dá pra chamar de ovo uma cidade com tamanhas dimensões. Mas compreendo porque chamam BH de ovo: por conta da frequência em que encontramos conhecidos nas ruas. Os cidadãos que conhecem muita gente esbarram com amigos e parentes quase todos os dias em uma simples ida ao shopping. Tal fato tem três explicações: interesse comum; cidadãos que moram perto de suas atividades; e a teoria dos 6 graus de separação. O primeiro é quando temos amigos e parentes com fortes interesses comuns. Por exemplo: se faço faculdade de artes plásticas, comumente encontrarei meus colegas de curso ou professores visitando exposições e afins. Se trabalho com arquitetura, vou encontrar meus conhecidos com certa facilidade visitando obras ou assistindo palestras e conferências. Se sempre gostei de passear no shopping (e isso é cultural em minha família), vou sempre topar com primos ou tios perambulando pelos malls da minha região. Já o segundo motivo é quando o cidadão mora perto das suas atividades, como trabalho ou faculdade. Como BH é uma cidade densa, é comum o cidadão morar perto das suas atividades - e muitas vezes nem precisar de veículo para se locomover. Esse constante contato com as vias públicas faz com que frequentemente o sujeito se depare com conhecidos que frequentam os mesmos locais que ele (trabalho, escola, etc.). E por último (e mais importante motivo), a Teoria dos Seis Graus de Separação. Segundo a teoria, entre duas pessoas existem apenas seis contatos intermediários, mesmo que elas estejam em lados opostos do mundo. Esta ideia surgiu em 1967, quando um estudo do psicólogo americano Stanley Milgram concluiu em suas pesquisas que cada um de nós está a apenas seis graus separação de outro grupo de pessoas. Em julho de 2006, a psicóloga Judith Kleinfeld, da Alaska Fairbanks University, analisou as anotações da pesquisa original de Milgram e verificou que 95% das cartas não haviam chegado ao seu destinatário final. Ela concluiu então que a teoria dos seis graus não passava de um mito. Por sua vez, um estudo realizado nos Estados Unidos por pesquisadores da Microsoft concluiu que a teoria dos seis graus de separação pode estar realmente correta, embora talvez sete graus seja um número mais exato. De qualquer forma, ainda não houve uma conclusão concreta sobre o assunto, mas é uma teoria que vem fascinando psicólogos, matemáticos e demais cientistas em todo o planeta, especialmente por conta do advento das redes sociais, que explicitaram tais coincidências. Eu mesmo já me surpreendi ao ver que um conhecido meu em Brasília é amigo no facebook de um amigo meu em Belo Horizonte, logo quando me mudei pra cá. Tais coincidências e encontros são comuns em qualquer cidade, de qualquer esfera... seja BH, Goiânia, Campinas, Salvador, São Paulo, Tóquio, Palmas ou Los Angeles. Ou seja, BH não é um ovo... mas pode ser que o mundo inteiro seja, se a teoria estiver correta.

5 - SABARÁ É LONGE - Sabará tem fama de ser um lugar longe. Mas não é! As pessoas que não conhecem Sabará acham que é uma cidade histórica a 100km do Centro de BH. Mas não, Sabará fica a parcos 10km da região central da cidade. O centro histórico de Sabará situa-se a 21km do Hipercentro. É mais perto que muitas regiões dentro do município de BH mesmo, como extremos de Venda Nova ou Barreiro. Ou seja, Sabará tem características de bairro. Recomendo que visitem! Vale a pena. É uma pequena face histórica dentro da Grande BH.

6 - JOTA QUEST É POP ROCK - Esse é um equívoco acometido principalmente por quem não conhece muito a banda, ou não entende muito de música. Pop rock no Brasil são bandas como Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Titãs e cia., cujos beats misturam ritmos de rock com ares de pop. Jota Quest segue um estilo pouco difundido no Brasil, que é o soul, sendo Tim Maia nosso maior expoente. O Jota Quest tem pitadas de rock, funk (não é funk carioca...), vintage e pop, mas é no soul/groove que ele se destaca.

7 - BH NÃO TEM BANDA DE DESTAQUE NACIONAL - Outro equívoco absurdamente equivocado. BH é uma das cidades que mais produz bandas e artistas em todo o Brasil. E, do contrário de cidades como Brasília, que se restringem à produção de bandas de rock ou sertanejo, em BH nossos grupos são altamente ecléticos. No rock temos Sepultura, que apesar de não ser muito conhecida no Brasil, é considerada uma das maiores bandas de Heavy Metal do planeta. Temos também Tianastácia, Cartoon, Radiotape, Cálix, Atack Epilético e Sarcófago, todas bandas de rock nacionalmente e internacionalmente conhecidas. No reggae/pop temos um dos maiores expoentes no país, que é o Skank. Atualmente ele flerta também com o pop/rock romântico, mas suas origens estão no ska, que é um estilo de reggae mais rápido. Pato Fu também nos mostra um pop rock muito bem tocado. Jota Quest já manda um som funkeado, com cara de música dos anos 70, misturando soul, R&B e uma leve pitada de rock. De BH saíram grandes cantores também, como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Wilson Sideral, Vander Lee, Fernanda Takai, Tavito, dentre muitos outros. Somos referência em produção musical.

8 - A LAGOA DA PAMPULHA FEDE - Bom, feder ela fede, mas apenas em um ponto, que é nas proximidades da barragem, próximo ao Aeroporto da Pampulha. Em outros pontos ela não fede. Nunca senti mal cheiro perto da Igrejinha, do MAP, no Zoo ou no Parque Ecológico. No máximo um cheiro leve de lodo nas proximidades da beirada, mas nada que incomode. A barragem fede pois por ali passam todo o esgoto que passa pela represa. Além disso, é ali próximo que o aeroporto descarrega o esgoto dos aviões. Aliás, dizem os especialistas que a culpa do mal cheiro da barragem vem principalmente do aeroporto.

9 - O METRÔ DE BH NÃO É UM METRÔ, É UM TREM URBANO - Muita gente fala isso da boca pra fora, aleatoriamente, sem estudar sobre o assunto. O que faz de um trem urbano ser considerado um metrô não é o fato dele ser subterrâneo. Metrô é um trem com alta capacidade que possui intervalo de, no máximo, 2km entre as estações; e tem funcionamento intenso em horário de pico, com trens passando pelo menos de 5 em 5 minutos. O trem urbano, como o SuperVia do Rio de Janeiro, possui intervalos maiores e as estações distam mais do que 2km umas das outras. É fato que nosso metrô pecisa melhorar, e muito, mas é o 4º maior metrô do Brasil em número de passageiros, perdendo pra SP, RJ e Recife.

10 - O CENTRO DE BH É FEIO - Feio é o preconceito. O Centro de BH é maravilhoso! Basta observá-lo com mais atenção. Belo Horizonte não é uma urbe a qual possa ser chamada de 'antiga'. Mas também não é a mais moderna entre as cidades brasileiras. O que não é ruim, pois temos contato com uma arquitetura eclética e diversificada em um simples passeio pelas ruas da região central, na qual percebemos nitidamente os estilos se fundindo por entre quadras e quarteirões com perfeita plasticidade e volubilidade. BH nasceu e cresceu na melhor época para se desenvolver, pois tem exemplares de todos os principais movimentos arquitetônicos do século XX. O Hipercentro possui uma mescla de estilos arquitetônicos que definem o caráter pluralista e cosmopolita da metrópole. Como eu já disse antes aqui no blog, tal fato talvez queira nos transmitir o espírito flexível do cidadão mineiro; a forma como ele se renova conforme o tempo dita as regras. A terceira maior cidade do país se mostra por si só um curso de arquitetura ao ar livre. Nosso centrão pode ser qualquer coisa, menos feio. Em alguns pontos ele está, de fato, mal cuidado, mas aí é papo pra outro post...

Texto e foto de Charles Tôrres

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