quarta-feira, 13 de abril de 2016

Tiradentes: amor à primeira vista!

Os dias de inverno em Tiradentes trazem o céu azul profundo realçando suas cores e debruço-me na janela imaginária pintada de azul anil, a olhar por suas vielas, onde passam saias de renda arrastando-se, cavalos em marcha a quebrar o silêncio das manhãs frias, correntes presas a punhos negros ressoando sobre as pedras do chão. À noite, fantasmas chegam com o vento, passando pelas fechaduras e vão sussurrar segredos aterradores nos ouvidos das donzelas...
Fantasiar faz parte de qualquer passeio pela cidade. É quase uma obrigação e sempre um prazer.
Adentrar a grande porta de madeira da Matriz é como transportar-nos para um mundo de tradições seculares, de riquezas inimagináveis, para o tempo do ouro e da religiosidade.
Haveria um concerto à noite: uma flautista e uma cravista, moças do lugar. Sem cerimônia, uma tirou a flauta da caixa, a outra arrastou o delicado cravo para a frente do altar, prontas para repassar a partitura. Turistas circulavam entre as paredes cobertas de puro ouro, distraídos do movimento, observando a beleza da arte ao redor.
Ainda sem formalidades, prepararam-se, entreolharam-se e tocaram sua música barroca.
... Assim, simplesmente. E ali algo mágico aconteceu. Eu me sentei e ao meu lado alguém também se sentou e também à nossa frente outras pessoas se sentaram, silenciosas, envolvidas pelo som da música, esquecidas do resto lá fora. E eu voltei ao século 18 por instantes e não poderia estar em nenhum lugar melhor do que em Tiradentes, dentro da reluzente Matriz de Santo Antônio, ouvindo música antiga...
Artigo de autoria de Márcia Valle
Fotografias ilustrativas de César Reis

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