Museu do Escravo em Belo Vale MG. O mais completo do gênero na América Latina

Peça do Museu do Escravo de Belo Vale. Fotografia de Arnaldo Silva 

Para conhecer como se vivia no Brasil há mais 100 anos, quando nosso país ainda era escravocrata, não é necessário ir muito longe. Fica em Belo Vale, a 88 km de Lafaiete e 86 km de Belo Horizonte, o único museu da América Latina dedicado unicamente ao escravo. O espaço cultural foi construído em formato de uma “casa grande”, onde viviam os senhores, e de senzalas, habitadas pelos escravos. Para celebrar os 125 de abolição da escravatura, que será neste domingo, dia 13, o Jornal CORREIO convida você para conhecer esse memorial.O Museu do Escravo foi fundado pelo padre José Luciano Penido, em 13 de maio de 1988, em comemoração aos 100 anos da abolição da escravidão. Em Belo Vale há registro de escravos do Barão do Paraopeba, que viviam na fazenda Boa Esperança.

De acordo com o guia do museu, José Felipe da Silva Neto, a “Casa Grande” é dividida em cinco salas: “Uma dedicada ao índio, que foi o primeiro habitante do Brasil e também foi escravizado. Uma é dedicada às artes sacras, já que a Igreja também possuía escravos e o negro acabou desenvolvendo as técnicas de pegar a madeira bruta e a transformar em imagem de artes sacras. Aleijadinho, por exemplo, foi um negro alforriado e que depois acabou confeccionando as relíquias que temos em Congonhas. Nas outras três, temos utensílios da casa grande, que são pratarias, uma urna funerária que alguns barões possuíam em suas casas, que pertenceu ao Barão de Catas Altas. Já na ‘senzala’ temos peças de torturas, os materiais de trabalho dos escravos. No meio do pátio nós temos o pelourinho, para lembrar como que o escravo era açoitado e sofria a sua condenação”, contou.

Para o guia, o museu do escravo ressalta a importância que o negro teve no Brasil: “A base da economia brasileira foi construídas por mãos escravas. Então, temos que mostrar o que os negro passaram vindo de terras estranhas, sofrendo mudanças. Lembrar que eles porque tinham sua terra natal, sua cultura, suas raízes. Então, foram apanhados e trazidos para um lugar onde não conheciam nada. Teve que se adaptar a uma cultura diferente, povos diferentes, cores diferentes. Isso em um sistema de escravidão”, lembrou.

A galeria atrai muitos visitantes: “Nós somos registrados como o único museu na América Latina que é dedicado somente ao escravo. O museu é órgão público e a Prefeitura que o mantém. No nosso livro de registros temos visitantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, do Norte e até mesmo registro de pessoas de outros países”, contou José Felipe.

Quem tiver interesse em conhecer o museu pode entrar em contato com a Prefeitura por meio do telefone (31) 3734-3740 e ou pode marcar sua visita por meio do celular (31) 9441-8560. O museu funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 16h e no sábado, domingo e feriado, funciona de 9h às 16h.

Saiba mais

Criado por lei municipal n. 501\75 e instalado em 10 de abril de 1977, o Museu do Escravo funcionou, inicialmente, na Fazenda da Boa Esperança, conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) em fevereiro de 1975 (Decreto no 17.009). localizado a 6km do centro de Belo Vale, o espaço é administrado pela Prefeitura Municipal, mas originou-se de iniciativas particulares do padre Luciano Jacques Penido, seu fundador e responsável pela reunião e organização de suas coleções, figurando, ainda hoje, como uma espécie de mentor do Museu.

O Museu ganhou prédio construído para este fim em 13 de maio de 1988, em uma iniciativa apoiada pela família Jacques Penido, da Prefeitura e da comunidade de Belo Vale. Erguido nos fundos da Igreja Matriz de São Gonçalo da Ponte, datada em 1764, o museu segue o estilo barroco das residências mineiras do período colonial. Seus cômodos formam seis salões de exposição separados por paredes e grandes janela em cantaria. No pátio interno, nos fundos do casarão, foi construída uma espécie de "senzala", em forma de U, também destinada à exibição de acervo.

Segundo informações do site Dejore, apesar de dedicado ao escravo, o museu reúne um acervo bastante variado: arte e objetos sacros, mobiliário de diferentes épocas e estilos, maquinário (relógios, máquinas fotográficas e de escrever, rádios, telefones, etc.) arte e utensílios indígenas, achados arqueológicos, objetos de montaria, instrumentos de trabalho, armaria, instrumentos musicais, utensílios e ornamentos domésticos, louça e prataria, dentre outros.

Em números reduzidos, o acervo de referência exclusiva ao escravo compõe-se de instrumentos de castigo, cópias de documentos iconográficos, objetos de arte afro-brasileira, objetos de uso pessoal, além de montagens museográficas como de um escravo sendo castigado em pelourinho, localizado no pátio externo; indumentária, moradia e utensílios, usados na produção do filme "Zumbi - Quilombo dos Palmares", doados pelo cineasta Cacá Diegues, expostos na construção em U no pátio externo, onde também está localizado um túmulo ao escravo desconhecido.


Fonte: Jornal Correio da Cidade

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