A Cachaça

Fotografia de Lucas Vieira 

Aqueles que se ligam à cachaça de uma forma ou de outra, por fabricá-la, por vendê-la ou por bebê-la, já devem ter ouvido aquela história.

“Nosso Senhor Jesus Cristo, quando caminhava por uma estrada, morrendo de sede, debaixo de um sol causticante, avistou um canavial. Protegendo-se do sol entre sua folhagem, refrescou-se do calor. Depois de descascar uma 
cana, chupou alguns gomos, saciando sua sede. Ao ir embora, para seguir viagem, estendeu suas mãos por sobre o canavial, abençoando-o desejando que das canas o homem haveria de tê-las sempre boas e doces. Em um outro dia, o diabo, passando pela mesma estrada, foi dar no mesmo canavial. Ali parando, resolveu refrescar-se. Cortou um pedaço da cana e começou a chupar um gomo, mas seu caldo estava azedo, e quando por ele foi engolido, desceu garganta abaixo queimando-lhe as ventas. Irritado, o diabo prometeu que da cana o homem tiraria uma bebida tão forte e ardente quanto as caldeiras do inferno”.
“Daí surge o açúcar abençoado por Nosso Senhor e a cachaça amaldiçoada pelo diabo".

A origem do nome “Cachaça” é desconhecida, mas alguns acreditam que ela vem do castelhano “Cachaza” que significa vinho de borra. Outros acham que é de origem africana. Mas Silveira Bueno em seu Dicionário Escolar da Língua Portuguesa diz: “Cachaça era sinônimo de porco (cachaço) e de porca(cachaça). Como a carne fosse dura, molhavam-na com aguardente para amaciá-la. Passando assim, o nome de porca (cachaça) a significar aquela aguardente que hoje todos conhecemos com o nome de cachaça”.





Desde que a cachaça é cachaça, sempre teve o nome de cachaça. Mas os que bebem, gostam de chamá-la de um jeitinho especial. Tem aqueles que batizam a cachaça com sinônimos: aca, aguardente, birita, cana, caninha, calibrina, cumbé, caiana, caxixi, jinjibirra, marato, monjopina, parati, pinga, tafia, tiquirá, uca, etc.

Há os que a chamam por objetivos: abrideira, azuladinha, branquinha, brasileira, boa, danada, espírito, elixir, homeopatia, imaculada, limpa, lisa, malvada, perigosa, preciosa, pura purinha, remédio, teimosa, etc.

Ainda vamos encontrar os que preferem exaltar jocosamente suas propriedades: Aquela que matou o guarda, água benta, água de briga, água de cana, água que gato ou passarinho não bebe, arrebenta peito, engasga gato, espanta moleque, esquenta por dentro, guarda chuva de pobre, já começa, mata bicho, meu consolo, quebra goela, sumo de cana, suor de alambique, tira juízo, tira teima, etc.

Ainda poder-se-á chamá-la por nomes de mulheres: Dona Branca, Maria Branca, Santa Maria, Sinhazinha e vai por aí a fora.

Fonte: Texto de Luiz Edmundo Costa, disponível emwww.brasilcult.pro.br

Um comentário:

Lucas disse...

Maravilha Arnaldo!

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