O Brasil do ouro e das revoluções. 1695 - 1798


A descoberta de ouro e diamantes, em 1695, nas regiões de Minas Gerais, sul da Bahia, Goiás e Mato Grosso, deu início à atividade mineradora na América Portuguesa Evidente que a notícia de tal acontecimento logo se alastrou pela colônia e muitos forasteiros se dirigiram ao local das Minas Gerais. A Capitania de São Paulo reivindicou para si o monopólio da exploração das minas auríferas e conseguiu do rei D. João V essa concessão. Com o chamariz do ouro, foi praticamente impossível controlar o fluxo de pessoas vindas de todas as regiões da colônia para explorar os metais preciosos. A busca por ouro e diamantes desencadeou conflitos de ordem civil, como a Guerra de Emboabas (1708-1709), entre paulistas e forasteiros. O resultado desse conflito foi a separação das Minas Gerais do Rio de Janeiro, em 1709, e a elevação da Vila São Paulo para a categoria de cidade em 1711.
A descoberta do ouro proporcionou grandes mudanças no Brasil colônia, uma delas foi a ascensão de um grupo social de comerciantes e profissionais liberais. Não obstante, essa não foi a única mudança pois novas capitanias, mais ao Oeste do Tratado de Tordesilhas, foram criadas no séc. XVII, como foi o caso de Mato Grosso e Goiás. No séc. XVIII, o então rei, D. José I, nomeou Sebastião José de Carvalho e Melo, que viria se tornar depois o marquês de Pombal, para o ministério real, essa era uma medida de Portugal para incrementar a economia colonial. Pombal foi o responsável por criar Companhias de Comércio no Grão-Pará e no Nordeste do Brasil. Esperava-se com essa medida que o comércio dessas regiões com a Europa aumentasse. De fato, Pombal conseguiu seu objetivo. Em compensação, ele proporcionou um arrocho econômico na colônia que fez com que vários impostos fossem cobrados sobre os produtos vendidos. A política pombalina procurou desenvolver a economia das áreas colônias, sem entretanto deixar de fiscalizar intensamente para evitar o contrabando e a sonegação. No Maranhão, por exemplo, em 1684, eclodiu um movimento que reivindicava melhores condições para os grandes proprietários de terra que almejavam poder explorar sem restrições a mão de obra indígena. A Companhia de Comércio do Maranhão, instalada dois anos antes, não cumpriu os objetivos de recuperar a economia local. No dia 25 de fevereiro de 1684, explodiu a revolta. Aproveitando-se da ausência do governador, que tinha fixado residência em Belém, os revoltosos prenderam o capitão-mor Baltazar Fernandes, declararam deposto o governante, expulsaram os Jesuítas e extinguiram a Companhia do Comércio. Uma Junta de Governo foi formada e enviou emissários à Belém do Pará para negociar com o governador deposto Francisco de Sá Menezes do Maranhão e angariar a adesão dos colonos daquela cidade. Os líderes do movimento acabaram sendo mortos pela reação metropolitana.
Em 1710, um movimento de revolta semelhante ao do Maranhão aconteceu também em Pernambuco. Na situação, os olindenses não se contentaram com a ascensão da burguesia portuguesa que vivia no Recife e era conhecida como Mascates. A diferença entre esses dois movimentos é que no Maranhão havia um descontentamento político e econômico enquanto que em Pernambuco estava em jogo os interesses privados de um grupo de comerciantes e de membros da açucarocracia olindense.
No foco da produção aurífera, nas Minas Gerais, dois levantes também se sucederam durante o séc. XVIII. O primeiro foi a Revolta de Felipe dos Santos, na qual se protestava contra a cobrança do quinto, da derrama e de outros impostos da coroa portuguesa. O segundo aconteceu pelas mesmas razões da sua predecessora, tratava-se então da Inconfidência Mineira, que aconteceu em 1789, liderada pela elite mineira que estava sendo influenciada pelos ideais Igualdade e Fraternidade da Revolução Francesa, bem como pela Independência americana, ocorrida dez anos antes. Acredita-se até que a Inconfidência Mineira foi na verdade uma extensão da revolta de Felipe dos Santos, sendo que aquela chegara a propor a independência do Brasil.
Para fechar o ciclo de revoltas provocadas por divergências sociais, cabe aqui ressaltar a importância da Conjuração Baiana, de 1798. Esse movimento também propunha a Independência do Brasil, no entanto foi talvez o mais popular e o mais radical de todos que ocorreram durante o séc. XVIII. A Conjuração baiana e a Inconfidência mineira tiveram natureza e propósitos diversos; em comum, o questionamento ao absolutismo monárquico pondo em xeque o domínio real.


Por Cecilia Neves Ramasini

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