Igreja de São José em Belo Horizonte

Fotografia de Flávio Leonardo
Conhecida pela bela arquitetura e patrimônio cultural de Belo Horizonte, a Igreja São José, que fica no Centro da capital, além de ser palco de tradicionais missas e casamentos, guarda histórias e peças mais do que especiais. Construída em 1900, o templo tem um belo acervo artístico de pinturas e esculturas, que representam santos e narram histórias bíblicas. Além disso, serviu de refúgio para manifestantes durante a ditadura militar e tem a rara característica de ter um símbolo que intriga pesquisadores e atiça a curiosidade dos fiéis. Trata-se da pintura de três lebres unidas por uma das orelhas e formando, entre elas, um triângulo. “É um mistério que ninguém conseguiu desvendar”, disse o padre José do Carmo Zambom, explicando que já mencionaram, embora sem comprovação, que a origem estaria no Oriente e até na estampa de um tecido de seda que teria chegado à capital.
“Na época da ditadura militar, a população foi às ruas protestar contra o desrespeito aos direitos humanos e constitucionais”, contou Zambom, lembrando que a matriz foi esconderijo de manifestantes em busca de proteção. Entre essa e outras histórias, Rogério Santos, há cinco anos trabalhando como vigia na igreja, tem o que contar. Entre as situações que considera inusitada está a história de um casamento em que, antes da noiva subir ao altar, o ex-namorado ligou para a arquidiocese e ameaçou uma funcionária para não realizar a cerimônia. “Tivemos que acionar a polícia. Ele também já tinha ameaçado a família da noiva”, relatou. Segundo o vigia, ela ficou assustada quando chegou à igreja, mas no final deu tudo certo. 

Frequentadora da matriz, Eliane Teixeira Rodrigues, de 52 anos, visita a igreja São José todos os dias. Ela caminha bem cedo pela Praça Raul Soares, também no Centro, e depois se dirige à matriz. “Vou ao santuário para agradecer a Deus por mais um dia vivido”, contou. Pelo fato de visitar o local diariamente, Eliane já vivenciou uma situação diferente. “Certa vez, ao chegar à igreja, me deparei com um homem raspando uma imagem de um santo de cor dourada. Quando me viu, se assustou e saiu correndo”, relatou. Segundo ela, o suposto ladrão ainda deixou um bilhete dizendo que voltaria no outro dia para levar o restante do ouro. “Foi uma situação bem engraçada, pois ele achou que a pintura era feita em ouro”, sorriu.

Fotografia de Flávio Leonardo
Arquitetura
A matriz tem 60 metros de comprimento e 19 de largura e foi construída em estilo manuelino, ou seja, com influências portuguesas. A igreja tem a forma de uma cruz latina e, se vista a partir do Edifício Acaiaca, que fica na avenida Afonso Pena, em frente à igreja, parece estar em cima de um cálice, formado pelas escadarias e acessos laterais. “De grandes dimensões, com torres que se sobressaem sobre a paisagem, do templo representa a grandeza da igreja na Terra. A decoração retrata a história da Cristandade e é complementada pelos vitrais que, na Idade Média, funcionavam como uma bíblia, devido ao grande número de analfabetos”, explicou o diretor de Políticas Museológicas da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira.

De acordo com o padre Zambom, cerca de 1.500 visitantes passam pela arquidiocese diariamente, número que chega a 5 mil nos finais de semana. A data em que a paróquia recebe um maior número de pessoas é no dia 19 de março, quando é comemorado o dia de São José, o padroeiro do local. Segundo a tradição cristã, São José foi designado por Deus para se casar com a jovem Maria, mãe de Jesus. Carpinteiro de profissão, ofício que teria ensinado ao seu filho, foi consagrado como padroeiro dos trabalhadores e das famílias.


Ações sociais
A igreja conta com o projeto Obra Social São José, que oferece diversas ações sociais de apoio, convivência, qualificação profissional e geração de renda. O local conta ainda com voluntários que oferecem atendimento psicoterapêutico e oferece bolsa de estudos que favorece o ingresso de alunos de baixa renda na universidade. Além disso, o projeto Costura Solidária reúne voluntárias que se empenham na confecção de colchas, almofadas, toalhas, panos de prato e enxovais para serem doados a instituições de caridade.

A história de um dos símbolos de BH
1900 – Em 27 de janeiro é criada a Igreja São José, por ato do bispo dom Silvério Gomes Pimenta
1901 – O projeto arquitetônico é aprovado no dia 21 de agosto
1902 – Pedra fundamental é lançada em 20 de abril
1904 – Templo é liberado para celebrações em 19 de março
1907 – Término da obra interna da igreja
1910 – Conclusão das torres e da pintura do batistério
1911 – Instalações do relógio e sino
1911/1912 – É feita a pintura interna da igreja pelo artista alemão Guilherme Schumacher


Fonte:http://portalpbh.pbh.gov.br/

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