A Cachaça e sua origem

A qualidade da cachaça produzida em Minas Gerais foi posta à prova e venceu mais um desafio: a Cúpula da Cachaça elegeu, em um teste cego, as 50 melhores cachaças do Brasil. Entre elas estão 30 rótulos mineiros. O que pode explicar o sucesso da cachaça mineira? Para o professor da UFMG Carlos Augusto Rosa, doutor em microbiologia e especialista na fermentação da bebida, a tradição e a experiência dos produtores são bons indícios. 

Existem cerca de 8.000 produtores de cachaça de alambique em Minas Gerais. Este grande número de marcas diferentes acaba gerando um número considerável da bebida, o que leva a produção de boas bebidas e bebidas ruins. Os produtores atualmente têm implementado as boas práticas de fabricação, com um controle maior da higiene da cana, da fermentação e das instalações 


A origem da cachaça

A história da cachaça na verdade começa juntamente com a história do Brasil. Por volta de 1530, os portugueses começaram a colonizar o que hoje é conhecido como nordeste, utilizando um método de plantação similar aos do Caribe e da região sul dos EUA. A produção de cana-de-açúcar se tornou a primeira aventura exploratória dos colonizadores, já que os porgueses haviam dominado sua cultura na ilha da Madeira. Além de tudo, as condições climáticas do nosso país favoreceram instalação de uma imensa plantação ao longo da costa brasileira.
Por conta de sua imensidão, as plantações de cana-de-açúcar necessitavam de uma grande quantidade de mão-de-obra. Após frustrarem a tentativa de escravizar os índios brasileiros nativos, os portugueses então negociaram os escravos vindos da África.
No processo de fabricação do açúcar, os escravos realizavam a colheita da cana e passaram a esmagar o bagaço. A massa resultante foi então fervida até se transformar em melaço. O resíduo do processo de ebulição deste, era um caldo ainda mais espesso, chamado cagaça, que era geralmente dado aos animais como alimento, juntamente com outros restos da cana-de-açúcar.foi geralmente alimentado para os animais, juntamente com outros restos de cana de açúcar.
Devido à exposição ao clima quente, a cagaça passou então fermentar nos bebedouros, produtizndo um líquido de elevado teor alcoólico. Por mais estranho que possa parecer, foram os porcos e o gado os primeiros a realmente apreciar a cachaça brasileira.


Lendas populares

A forma com que a cachaça saiu do bebedouro animal e acabou em uma garrafa ainda é um mistério. Acredita-se que um dia, um escravo foi forçado a beber com os animais, descobrindo assim o efeito inebriante do líquido.
Outra lenda muito compartilhada é que os escravos muitas vezes misturavam os melaços velhos já fermentados com melaços mais novos. Durante a ebulição da mistura, as moléculas de álcool contidas no melaço velho formaram gotículas no teto do engenho. Ao passo que as gotículas pingavam em suas cabeças escorriam para suas bocas, os escravos sentiram uma sensação imediata de euforia. Muitos acreditam que é daí que a cachaça também é chamada de pinga.
Da mesma forma, as gotas que pingavam do telhado muitas vezes atingiam as feridas abertas dos escravos, causando uma sensação de ardência, inspirando assim o nome aguardente.

A verdadeira origem da cachaça

Apesar de as lendas acima soarem muito interessantes, é bem mais provável que a arte da produção da cachaça tenha chegado ao Brasil através dos portugueses. Alguns historiadores acreditam que foram os árabes os primeiros a aprender a fazer bebidas a partir da cana-de-açúcar, lá no século 15. Afirmam ainda que a técnica foi ensinada aos portugueses durante a ocupação árabe da Península Ibérica.
Outros relatos datados no século 16, descrevem a cachaça como sendo um tipo de vinho de cana-de-açúcar, consumido apenas por negros. Servia também como estimulante para manter os escravos mais ativos ao realizar trabalho pesado. Com o passar do tempo, a cachaça chamou a atenção dos brancos, que passaram a substituir suas bebidas alcoólicas importadas da Europa pela novidade bem mais barata. 

A cachaça hoje em dia


Com o passar dos séculos, todo o processo de produção foi aperfeiçoado, e a cachaça ganhou cada vez mais popularidade. Atualmente o Brasil produz em média 1,3 bilhões de litros da bebida, do qual apenas 0,5% é exportada. Em alguns países europeus como Alemanha, a caipirinha feita com cachaça é mais consumida do que o whisky.
A cachaça tem grande influência na nossa nacionalidade, cultura e identidade. O que antes era um drink de escravos agora é consumida por todos, sendo oferecido às embaixadas internacionais como o drink oficial do Brasil.
Algumas décadas atrás, a França tentou registrar a cachaça como sua própria marca, em uma tentativa tão ridícula quanto o Japão tentando patentear o nosso açaí.
Não é preciso dizer que ambas tentativas falharam, e a cachaça continua como sempre foi: um produto 100% brasileiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário